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INDÚSTRIA AERONÁUTICA - DA AMEAÇA À OPORTUNIDADE - COVID 19



Onde estão os milhares de aviões que cruzam os céus diariamente?


As companhias aéreas em todo mundo estão a cancelar voos à medida que os passageiros decidem não viajar ou podem mesmo correr o risco de não conseguir dar entrada nos seus destinos com o fecho de fronteiras em vários países. Com milhares da aviões em terra e a súbita redução da procura devido à pandemia do COVID-19 (a Ryanair e Easyjet já anunciaram que 100% das suas frotas estão terra), as companhias estão a tentar reinventar-se, de modo a conseguirem pelo menos cobrir os seus custos e evitar despedimentos em massa.


Anos atrás, todas as companhias norte americanas deixaram de usar aviões de carga dedicados, exceptuando alguns aviões da Alaska Airlines que abastecem o norte do Canadá. Enquanto umas companhias aéreas estão a reduzir o número de aviões de carga, outras estão a adaptar a frota, de forma a esta ter maior volume de carga disponível durante o transporte de passageiros.


Esta tendência inverteu-se recentemente, em pleno período de emergência, com a United Airlines a realizar o seu primeiro voo exclusivamente de carga em mais de 35 anos no passado dia 21. Com muitos dos seus aviões parados, a companhia decidiu recuperar os seus Boieng 747 Freighter, inoperacionais desde 1984 e operar um voo entre Dallas e Frankfurt, que transportou equipamento médico, incluindo testes para o COVID-19, correio militar e equipamento de telecomunicações.


No dia seguinte, a Virgin Atlantic operou pela primeira vez um voo exclusivamente de mercadorias, e outras companhias de referência como a TAP, British Airways, Lufthansa, Emirates e United Airlanes estão a converter parcialmente as cabines de passageiros, de forma a aumentarem a capacidade de carga. No passado dia 25 de Março, a Lufthansa voou pela primeira vez com um avião de passageiros que transportava exclusivamente mercadoria entre Frankfurt e Xangai.

Avião da Lufthansa a carregar mercadoria no porão


A companhia de bandeira Portuguesa, a TAP, também efectuou um voo humanitário no passado fim de semana, adaptando um avião comercial da sua frota, para um avião de carga, um Airbus 330 Neo.


Interior de uma cabine de passageiros adaptada a carga para a missão TAP


Habitualmente as companhias aéreas reservam uma parte do volume disponível das suas aeronaves para o transporte de mercadoria, representando 10 a 15% das receitas dos voos comerciais, mas não é usual possuírem aeronaves inteiramente dedicadas ao transporte de carga. A British Airways por exemplo, tem apenas 3 aviões exclusivos para o efeito, numa frota de 282 aeronaves.


Um dos 3 Boeing 747 exclusivos de carga da British Airways


Deixamos um vídeo demonstrativo de alguns locais onde os aviões das companhias aéreas estão armazenados e os riscos de estes não estarem em funcionamento.




Como é que as companhias aéreas estão a gerar receitas a partir do transporte de mercadorias?


É inegável que o transporte aéreo de mercadorias tem problemas de competitividade ao nível do custo, uma vez que o preço por quilo pode ser 12 a 16 vezes superior ao transporte marítimo – responsável pelo transporte de 90% de todos os bens a nível mundial - o que não quer dizer que não possa ser precioso em diversos casos, justificando assim o custo acrescido.

Na década de 2000, o transporte aéreo de mercadorias sofreu um significativo revés, com muitos aviões de mercadorias a deixarem de voar e a produção de novas unidades praticamente parada. Entretanto, com o forte crescimento do comércio online nesta década, o paradigma em relação ao transporte aéreo de bens alterou-se.


“Este mercado é muito, muito bom. O maior contributo vem do e-commerce. Enquanto este se tornar cada vez maior proporcionalmente ao comércio de retalho, existirá sempre procura de transporte pelo ar.” Disse Mark Diamond, um consultor com experiência na indústria aeronáutica e líder das actividades de consultoria do transporte aéreo de mercadorias da IATA (International Air Transport Association).


“De repente surgiu um pico na procura de aviões de carga e conversões. A Amazon começou efectivamente a transportar os seus produtos nos seus próprios aviões, estando neste momento a comprar Boeings 767 por todo o mundo, convertendo-os em aviões de carga” Afirmou Diamond.


Existe também uma procura elevada para bens de alto valor, como produtos farmacêuticos, animais vivos, componentes aeroespaciais, e automóveis.

Boeing 767-300 pertencente à Amazon


Porquê transportar mercadoria pelo ar?


Rapidez - Num mundo onde o “tempo é dinheiro”, o transporte aéreo apresenta-se como a solução ideal para o transporte de carga à volta do globo de uma forma rápida e segura. Permite aos fornecedores responderem de uma forma simples e célere às exigências dos seus clientes. É o transporte preferencial quando os fabricantes têm uma paragem súbita da linha de montagem, devido à avaria de um componente mecânico.

Assim, recorrendo ao transporte aéreo, tem rápido acesso ao componente de substituição, corrigindo a avaria, de forma a retomarem o mais rápido possível a produção. O transporte aéreo é um bom aliado quando as companhias farmacêuticas querem transportar produtos sensíveis; quando os retalhistas querem abastecer as lojas com produtos electrónicos com elevada procura, ou numa súbita mudança meteorológica, obrigando a alterar o stock de roupa nas lojas.


Fiabilidade – a exigência dos seus clientes, obrigou a indústria a desenvolver ferramentas que permitem um melhor rastreamento e conhecimento de que os bens vão ser entregues no destinatário correto e dentro do prazo previsto.


Segurança – Apesar da pirataria marítima estar em declínio, existo maior risco de dano no transporte marítimo do que no transporte aéreo.


Armazenamento – os aeroportos têm em geral armazéns rudimentares. Isso não é no entanto um constrangimento, já que o período de armazenamento é bastante curto, uma vez que os bens por regra são sensíveis ao tempo de armazenamento ou tendo a necessidade de chegar ao seu destino rapidamente devido ao seu custo elevado.


O transporte aéreo de mercadorias permite também a exploração de novos mercados, permitindo o transporte rápido e seguro das primeiras encomendas. Este meio de transporte irá continuar a apoiar actividades de produção, nomeadamente em produtos críticos ou de elevado valor de fabrico. É por fim, um importante apoio em actividades de logística inversa, tais como, a reparação ou cobertura de garantia de produtos electrónicos de alto nível.


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