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METRO DE LISBOA DESABA NA LINHA AZUL

Atualizado: Set 30



IMPRESSIONANTE ACIDENTE NÃO PELOS ESTRAGOS CAUSADOS MAS PELA DEMONSTRAÇÃO DO ESTADO DESTA INFRAESTRUTURA.

A LAMENTAR QUATRO FERIDOS NESTE ACIDENTE.


As informações do METRO DE LISBOA são escassas mas pode ver que não há menção a uma derrocada do tecto do Túnel

"Estado da Linha: Devido a avaria na sinalização, a circulação está interrompida entre as estações Colégio Militar e Santa Apolónia. Não é possível prever a duração da interrupção, que poderá ser prolongada. Agradecemos a sua compreensão."

Como pode consultar no site do Metro (ver aqui).



Carlos Castro, vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Lisboa, adiantou em declarações aos jornalistas que, de acordo com uma "análise muito preliminar prevê-se entre um a dois dias de interrupção" da Linha Azul. O autarca disse ainda que já foi aberto um inquérito para apurar responsabilidades.


Já em Junho de 2018 o Metro de Lisboa alertava para problemas estruturais do tecto, que mostrava risco de cair, da estação da Encarnação, na linha vermelha. A intervenção feita na altura foi segundo comunicado do Metro de Lisboa no âmbito da recepção definitiva da obra.


Segundo a Câmara Municipal de Lisboa este desabamento deveu-se a obras do novo Parque Urbano da Praça de Espanha, em que a CML é o dono de obra. A retirada de uma conduta de saneamento não foi bem executada e que ao demolires parte da estrutura de betão, furaram a galeria, que já é muito antiga. Coloca-se a hipótese do erro poder ser do empreiteiro ou do projectista.


Segundo informações do presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, Vitor Domingues, a estrutura da galeria "é uma mistura de pedra e betão, uma mistura frágil, com cerca de 50 anos".



Fomos rever a história da construção destes tuneis e encontrámos a seguinte informação.

(Fonte: Tese de Mestrado de Maria Amaral)


A construção a céu aberto era, na época, vantajosa, em termos de preço, relativamente à construção em túnel, no atravessamento de terrenos pouco compactos, então muito onerada pela inexistência dos actuais equipamentos pesados. O recurso a estes últimos é hoje comum uma vez que facilitam grandemente (encurtando os prazos de execução e reduzindo os custos) a construção das obras subterrâneas, independentemente do tipo de solos, coerentes ou não, com ou sem água. Para as obras do primeiro escalão, foi decidido recorrer a métodos de construção que tivessem em conta assegurar a contenção dos solos, quando coerentes, durante o tempo que correspondia à escavação e à execução da estrutura das galerias por betonagem contra o terreno. Nos solos pouco coerentes, a estabilidade da escavação ficava assegurada por taludes executando-se a galeria com moldes exteriores além dos interiores, compactando convenientemente os intervalos de terreno entre os paramentos exteriores das galerias e do talude

No atravessamento das camadas de solos menos resistentes, nos enchimentos dos vales e, em regra nas estruturas das naves das estações e galerias dos términos, utilizou-se o betão fracamente armado, com reforços menores ou maiores de armaduras. O dimensionamento das estruturas contemplava o controlo da fissuração do betão, aproveitando-se as capacidades resistentes deste último a esforços de tracção por flexão. No atravessamento de solos drenados admitiram-se, sem preocupações de maior, a presença de fissuras no betão resultantes de situações de adaptação do material de construção (até estabilização dos impulsos exercidos pelo solo) aos valores das acções realmente actuantes (de distribuição pouco precisa), ou dos esforços instalados. Esta concepção permitiu construir, com racionalidade e economia, não só as galerias correntes (de vão interior livre da ordem dos 8m) como também os vãos alargados até valores de ordem dos 20m, das galerias do término provisório de Sete Rios, e as abóbadas das naves dos cais, de vão interior de 14m, em regra, ou superior.


Para a construção das galerias a céu aberto foram avaliadas duas alternativas estruturais: galerias abobadadas, em regra de betão simples, e quadros rectangulares, de betão armado. Apesar desta última solução apresentar como aliciante a possibilidade de construções mais superficiais, havendo menores movimentos de terra, concluíu-se que a estrutura de tecto plano armado era cerca de 25% mais dispendiosa. Tal facto é, essencialmente, consequência da superfície acidentada de Lisboa, criando variações apreciáveis do recobrimento, contrariamente ao que se verifica em muitas cidades da Europa Central onde, devido à regularidade da superfície do solo, foi possível optar por secções rectangulares permitindo executar vantajosamente galerias mais próximas da superfície, com menor volume de escavação de terras.


A forma adoptada (abóbada abatida ligada aos pés direitos) possibilitou a construção de estruturas em que predominam esforços de compressão, embora existam alguns esforços de tracção de pequeno valor. Por isso, o betão simples foi o material mais utilizado na construção das galerias, no atravessamento das camadas do solo coerente “in situ”, as mais comuns na cidade de Lisboa.




O Presidente da Camara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, garantiu esta quarta-feira que o desabamento de um troço da linha azul do metro, é "da inteira responsabilidade de uma obra na Câmara Municipal".

"O incidente não resulta de nenhum problema na linha do metro, nem de prolemas naquele troço ou nos túneis, que não apresentam qualquer risco", aquilo que aconteceu decorre exclusivamente de uma obra da Câmara Municipal de Lisboa feita à superfície e que num erro grosseiro faz uma perfuração na estrutura do túnel do metro e que nunca devia ter acontecido".


O autarca esclareceu que  os túneis não apresentam aparentemente qualquer tipo de problema, não foi por nenhuma questão naquela parte da galeria que o abatimento se deu, refeiu,querendo ser claro sobre a situação, pela "confiança e tranquilidade de todos os que utilizam o Metro de Lisboa".


Foi instaurado um inquérito que revela que foi solicitado ao Bastonário da Ordem dos Engenheiros "que designasse um especialista que pudesse liderar a comissão e rapidamente definir exatamente o sítio da responsabilidade, se ao nível da conceção do projeto, da sua execução, da fiscalização, para saber o que correu mal".



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