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PORTUGAL E ESPANHA DISPUTAM PARA SER A BATERIA DA EUROPA

Atualizado: Mar 2

CONHEÇA O PLANO DA IBERDROLA PARA TRANSFORMAR PORTUGAL E ESPANHA NA GRANDE "BATERIA" DA EUROPA


Uma das barragens da central hidroeléctrica do Alto Tâmega, em Portugal, desenvolvida pela IBERDROLA


A empresa de energia Iberdrola já controla a maior central de bombeamento do continente, em Valência, e está a construir uma central hidroeléctrica perto do Porto. Esta central, na sua máxima capacidade de armazenamento, conseguirá alcançar valores na ordem dos 4.000 MW (megawatts) de energia.


No norte de Portugal, quase a meio caminho do Porto e Ourense, um colosso hidroeléctrico está em construção. É uma das maiores estruturas com estas características construídas nos últimos 25 anos na Europa. Três barragens e três centrais hidroeléctricas, Gouvães, Daivões e Alto Tâmega, que entrarão em exploração entre 2021 e 2023 e que a Iberdrola espanhola explorará nos próximos 70 anos depois de investir cerca de 1.500 milhões de euros. Até hoje, já foram investidos 900 milhões de euros.


A Iberdrola iniciou as obras em 2014 e já completou dois terços de um complexo no rio Tâmega, um afluente do Douro. Um marco comemorado com um acto oficial com a presença do primeiro-ministro português Antonio Costa, acompanhado de vários dos seus ministros, assim como o presidente da empresa espanhola Ignacio Sánchez Galán.


As três centrais hidroeléctricas terão uma potência combinada de 1.158 megawatts (MW) e, de acordo com as próprias estimativas da empresa, quando totalmente operacionais, poderão produzir 1.766 gigawatt-hora (GWh) de electricidade por ano, fornecendo energia limpa ao consumo equivalente de 440.000 casas portuguesas, evitando a emissão de 1,2 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, tornando assim desnecessária a importação de 160.000 toneladas de petróleo por ano.


Um dos túneis para a construção da estação de bombeamento no complexo do Alto Tâmega


Água para armazenar energia


O novo complexo do Tâmega terá quase 900 MW de bombeamento, uma técnica que permite o armazenamento e reutilização de água para gerar electricidade em momentos de alta procura. Com a entrada em operação, a Iberdrola ultrapassará os 4.000 MW de capacidade de bombeamento na Península Ibérica (3.192 MW em Espanha e 880 MW em Portugal), com o objectivo de convertê-la “na grande bateria do Velho Continente”, segundo a empresa de electricidade.


A empresa distribui toda esta capacidade de armazenamento num total de quinze centrais de energia, estudando também a possibilidade de expandir os reservatórios existentes em Espanha (um no rio Tiétar e outro no Esla) para convertê-los em bombeamento, como Galán revelou após o evento público, ocorrido na cidade portuguesa de Ribeira da Pena.


“A tecnologia de bombeamento hidroeléctrico é actualmente o sistema mais eficiente para armazenar energia em larga escala. É mais lucrativo e fornece estabilidade, segurança e sustentabilidade ao sistema eléctrico, gerando uma grande quantidade de energia com um tempo de resposta muito rápido e sem criar nenhum tipo de emissão para a atmosfera”, afirmaram fontes do grupo espanhol. "O armazenamento fornecido pela tecnologia de bombeamento hidroeléctrico é essencial para garantir a estabilidade do sistema eléctrico diante da intermitência de outras fontes de energia renovável, como a eólica ou a solar fotovoltaica".


Esquema das três barragens e centrais do complexo Tâmega da Iberdrola


A Iberdrola espera atingir 90 gigawatts-hora (GWh) de capacidade de armazenamento até 2022, o que significará um aumento em comparação a 2018 de quase 30%. Nos próximos três anos, a empresa adicionará, graças à nova instalação portuguesa, mais 20 GWh, equivalentes a 400.000 baterias de carros eléctricos ou 1,4 milhões de baterias para uso residencial.


As centrais de bombeamento possuem dois reservatórios em diferentes alturas que permitem o armazenamento de água em períodos de menor procura e utilizá-la para produzir energia durante as horas de maior consumo para responder a toda procura de electricidade.


Nas horas de "vazio", geralmente durante a noite, nos dias de semana e fins de semana, a energia não consumida e que normalmente tem um preço mais baixo no mercado, é usada para bombear a água contida no reservatório localizado no nível mais baixo até ao tanque superior por meio de uma bomba hidráulica que faz a água subir através de um tubo. O reservatório superior funciona como um tanque de armazenamento.


Durante o horário de “pico”, os de maior consumo, a estação de bombeamento funciona como uma central hidroeléctrica convencional em que a água acumulada no reservatório superior, contida por uma barragem, é enviada para um reservatório inferior e, nesse salto, a electricidade é produzida com turbinas hidráulicas. A água, uma vez que a electricidade é gerada, retorna ao reservatório inferior, onde é armazenada novamente.


A Iberdrola já opera em Espanha, na cidade de Valência, a maior instalação de bombeamento da Europa: La Muela II, no reservatório de Cortes de Pallás, localizado no rio Júcar. A sua produção anual, ronda os incríveis números de 800 gigawatts-hora (GWh), o suficiente para responder ao consumo de electricidade de quase 200.000 residências. Essa central possui quatro grupos de turbinas reversíveis dentro de uma caverna que permitem aproveitar a queda de 500 metros entre o depósito artificial de La Muela e o reservatório de Cortes de Pallás para produzir electricidade.



As três barragens do colosso português


No novo mega complexo hidroeléctrico de Portugal, será o aproveitamento de Gouvães, que já inclui uma estação de bombeamento e um reservatório superior. Possui quatro grupos geradores que juntos alcançam uma potência de 880 MW e serão alojados numa caverna subterrânea com um volume equivalente a 25 piscinas olímpicas. Essa central será reversível, ou seja, permitirá armazenar água do reservatório de Daivões no reservatório de Gouvães, aproveitando a diferença de altitude de mais de 650 metros entre os dois. A sua implementação ocorrerá no próximo ano.



Obras na estação de bombeamento da Iberdrola, no Tâmega


Por sua vez, a barragem de Daivões, cuja central associada terá capacidade de 118 MW, graças à instalação de três grupos, está quase concluída. A execução das obras da central hidroeléctrica alcançou os 50%, estando prevista a sua finalização para 2021.


A construção da terceira etapa do projecto, a barragem de Alto Tâmega e a central, está prevista para começar ao longo do mês de Março deste ano, quando adjudicar a obra a outra empresa de construção, após a paralisação das obras no ultimo ano. A Iberdrola rescindiu o contrato com o consórcio responsável pela construção, liderado pela Acciona, por “atrasos e não conformidade”, estando um processo de resolução em andamento nos tribunais. A central terá dois grupos, que fornecerão 160 MW de energia. A inauguração está prevista para o ano de 2023.


O projecto original incluía uma quarta barragem, no rio Beça, mas foi descartada pela presença na área, de espécimes do mexilhão Margaritifera margaritifera, uma espécie em extinção.


As obras para a construção deste mega complexo do Tâmega têm impacto na área. Além das 56 casas que serão submersas na água, os desvios dos rios e as escavações nas montanhas deixarão uma marca permanente no ecossistema.


Para mitigar estes efeitos, a Iberdrola lançou um plano de acção socioeconómica de 50 milhões de euros para a área de influência, a fim de promover iniciativas sociais, culturais e ambientais. Paralelamente, as obras de construção levaram à criação de 3.500 empregos directos e outros 10.000 indirectos, 20% dos quais provenientes dos municípios próximos ao projecto.


Obras na central de bombeamento no complexo do Tâmega, da Iberdrola, em Portugal


A aposta em Portugal


A Iberdrola propôs crescer em Portugal, um mercado identificado pelo grupo como estratégico. Além de desenvolver o complexo hidroeléctrico do Tâmega, a empresa já possui 92 MW de energia eólica distribuídos em três parques no país e, em Agosto passado, 149 MW de energia solar fotovoltaica foram premiados em leilão.


Paralelamente, a Iberdrola concorre com a EDP e a Endesa no sector de marketing também no mercado português. Hoje, a Iberdrola, é a terceira maior empresa de electricidade do país em participação de mercado, o primeiro fornecedor de electricidade do sector industrial e o segundo em termos de número de clientes residenciais.


A Iberdrola gere mais de meio milhão de contratos de fornecimento de electricidade e gás, tendo como objectivo até 2025, duplicar os valores actuais, atingindo um milhão de clientes domésticos, num mercado composto por 5,2 milhões de pontos de fornecimento.


Uma das barragens do complexo do Tâmega, da Iberdrola



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