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A TRANSPOSIƇƃO DA EPBD

  • Foto do escritor: Aline Guerreiro
    Aline Guerreiro
  • 16 de fev. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 17 de fev. de 2021


A transposição desta diretiva, que impõe que os edifícios novos e existentes se tornem mais eficientes energeticamente, terÔ como desafio maior, ser capaz de responder a esta mudança de forma ecologicamente correta.

Energy Performance of Buildings Directive, acrónimo de EPBD. A diretiva europeia que Portugal acabou de transpor e que significa que setor dos edifĆ­cios tem que atĆ© julho, se adaptar Ć s novas exigĆŖncias. ExigĆŖncias essas que determinam que todos os edifĆ­cios deverĆ£o ser balanƧo zero ou quase zero de energia. Que Ć© como quem diz que deverĆ£o ser energeticamente eficientes, ou ainda eficientes no que se refere ao consumo de energia. Ɖ importante salientar que esta urgĆŖncia de descarbonização nĆ£o Ć© um capricho de Bruxelas, mas sim uma imposição do nosso planeta, se Ć© que o queremos manter habitĆ”vel.

Segundo a ONU, mais de 7.000 eventos climĆ”ticos extremos foram registados desde 2000. Em 2017 os incĆŖndios florestais assolaram o nosso paĆ­s. A COVID-19 e a ā€œpobreza energĆ©tica em que vivemosā€ num paĆ­s onde ainda se morre de frio, os efeitos da crise climĆ”tica manifestam-se de formas terrĆ­veis, dessas formas cada vez mais terrĆ­veis, Ć© prerrogativa o setor dos edifĆ­cios - atualmente responsĆ”vel por, pode ler-se na diretiva, 36% das emissƵes totais de gases de efeito de estufa e por 40% dos consumos energĆ©ticos da UniĆ£o Europeia – tornar-se menos poluente.


Pode também ler-se que os edifícios têm um potencial imenso de contribuição para o combate às alterações climÔticas através de ganhos de eficiência, simultaneamente assegurando-se a redução dos consumos e emissões enquanto se aumentam os padrões de segurança e conforto dos seus utilizadores. A questão é, como implementar a diretiva comprometendo-se com mudanças genuínas e abrangentes na abordagem à sustentabilidade?


O mĆŖs passado escrevi sobre isolamentos altamente poluentes em edifĆ­cios. Ɖ que para aumentar a eficiĆŖncia energĆ©tica dos edifĆ­cios, nĆ£o basta atulhĆ”-los de sistemas e mecanismos que os climatizem, mesmo que Ć  base de energias renovĆ”veis. Ɖ imperativo isolar. Mas Ć© igualmente necessĆ”rio deixar o edifĆ­cio respirar. E isso só se consegue com isolamentos naturais, impermeĆ”veis Ć  Ć”gua, mas permeĆ”veis ao vapor de Ć”gua, como a cortiƧa os as lĆ£s minerais.


Segundo a diretiva hĆ” tambĆ©m que garantir a ventilação dos edifĆ­cios, para prevenir a qualidade do ar, que serĆ” avaliada anualmente. Ora, a ventilação dos edifĆ­cios Ć© tanto melhor, quanto mais natural for. Os edifĆ­cios hermeticamente isolados (tipo passive house de que tanto se fala e que nada tem a ver com o nosso clima) ou sem qualquer isolamento (o isolamento tambĆ©m previne ganhos tĆ©rmicos na estação quente), obrigam Ć  instalação de sistemas de ventilação, artificiais, que requerem grandes quantidades de eletricidade que dependem fortemente de combustĆ­veis fósseis. Ɖ, pois, basilar, encontrar formas de responder Ć  necessidade de sistemas de ventilação e de arrefecimento que, simultaneamente, eliminem estes efeitos insustentĆ”veis.


Felizmente, jÔ existem muitas soluções. Arquitetos e engenheiros devem ser os primeiros a contribuir, usando e adaptando estas soluções, a novas construções ou a construções existentes. As soluções de ventilação podem ser divididas em duas categorias: passivas e ativas.


Fig.1. Estratégias bioclimÔticas da Empresa de Desenvolvimento Urbano (EDU ©) em Medellín.


Os sistemas passivos referem-se a estratĆ©gias integradas no design do edifĆ­cio, que regulam o ganho e a dissipação com, praticamente, nenhum consumo de energia. As ativas, referem-se a mecanismos externos ao edifĆ­cio, que necessitam de energia para funcionarem. As estratĆ©gias passivas sĆ£o facilitadas por meio de efeitos ambientais naturais e Ć© obrigação dos profissionais dimensionarem os edifĆ­cios e respetivas soluƧƵes construtivas, com base numa arquitetura passiva ou bioclimĆ”tica. Ɖ que nada Ć© mais racional do que utilizar os recursos naturais, como o sol e o vento, gratuitos, renovĆ”veis e saudĆ”veis, para melhorar o conforto tĆ©rmico nos projetos de arquitetura e, consequentemente, nos edifĆ­cios. A consciĆŖncia da finitude dos recursos e a necessĆ”ria redução no consumo energĆ©tico, deveria retirar o protagonismo aos sistemas de ar condicionado, fazendo com que arquitetos e engenheiros se voltassem cada vez mais para sistemas passivos.


Ɖ evidente que hĆ” situaƧƵes extremas em que nĆ£o hĆ” escapatórias, senĆ£o o uso de sistemas ativos, mas, em Portugal Ć© possĆ­vel proporcionar um fluxo de ar agradĆ”vel atravĆ©s dos ambientes tirando partido do clima, principalmente se as aƧƵes forem consideradas durante a fase de projeto. O tema Ć© altamente complexo e abrangente, e nĆ£o poderei alongar-me aqui na explicação aprofundada de cada uma das estratĆ©gias passivas. Mas, uma sĆ©rie de sistemas de ventilação pode auxiliar na qualidade do ar, como por exemplo a ventilação natural cruzada, ventilação natural induzida ou efeito chaminĆ©, que combinados, devidamente dimensionados e, com uma correta utilização de elementos construtivos possibilita melhoria no conforto tĆ©rmico e diminuição no consumo de energia.


Fig.2 Moradia em Santarém construída com princípios de arquitetura bioclimÔtica. Otimizada a sul de forma a retirar partido do sol para climatização e luz natural. Isolada com sistema ETICS em aglomerado de cortiça expandida. Autoria: Aline Guerreiro, 2007


A transposição da EPBD, terÔ como maior desafio na mudança, ser capaz de responder à necessidade de edifícios energicamente eficientes de forma ecologicamente correta, optando por isolamentos naturais e sistemas de ventilação que, simultaneamente, eliminem efeitos insustentÔveis. Não sendo assim, daqui a umas dezenas de anos, estaremos a ter que reabilitar energeticamente, os edifícios de hoje...



Aline Guerreiro

Arquiteta CEO Portal da Construção SustentÔvel


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