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  • Foto do escritorPEDRO SILVA

IMPORTÂNCIAS DAS ESTRATÉGIAS DE SUSTENTABILIDADE NAS EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO


A União Europeia é atualmente a região mais exigente e ambiciosa do mundo em termos de sustentabilidade

A digitalização e a sustentabilidade (muitas vezes referida como ESG - Environment, Social e Governance) não são novidades. Há empresas internacionais que já produzem relatórios de sustentabilidade há mais de 20 anos e muitas empresas já utilizam sistemas ERP (SAP, Primavera, etc.) ou ferramentas de BI (Power BI, Tableau) em sua gestão diária. No entanto, a maioria das PMEs (Pequenas e Médias Empresas) ainda não percebeu que estamos a atravessar a chamada 'quarta revolução industrial', onde a sustentabilidade agora é quantificada e tratada com recurso a tecnologias como a inteligência artificial, machine learning e blockchain.


A União Europeia é atualmente a região mais exigente e ambiciosa do mundo em termos de sustentabilidade. Desde a pandemia, no âmbito dos objetivos definidos pela Estratégia Green Deal, houve um desenvolvimento de regulamentações sobre sustentabilidade a uma velocidade nunca antes vista, incluindo as Novas Taxonomias Ambientais, a Diretiva de Relato de Sustentabilidade (CSRD), a Diretiva de Due Diligence, a Diretiva Green Claim, entre outras.


O sector da construção é um dos visados por toda esta framework regulatória, uma vez que é dos que mais impacto tem em termos ambientais.

No entanto, observa-se em Portugal uma relativa passividade por parte da maioria das empresas do setor (especialmente nas PMEs) em relação à preparação para cumprir todas essas novas exigências. A filosofia “isso são temas que interessam apenas às grandes empresas” pode tornar-se uma ameaça à rentabilidade e até mesmo à sobrevivência dessas empresas. O desconhecimento sobre o verdadeiro significado de “sustentabilidade” pode levar muitas empresas a um ponto sem retorno. Com frequência, quando converso com gerentes de PMEs sobre Sustentabilidade, eles têm como primeira reação pedirem-me para conversar com sua equipe de marketing ou com o seu engenheiro ambiental. Isto é sintomático do desconhecimento sobre o assunto. Se observarmos como as multinacionais tratam este tema, constatamos que, desde a aceleração tecnológica e regulatória causada pela pandemia, foi criada a figura do 'Chief Sustainability Officer' (responsável máximo pela sustentabilidade nas empresas), que geralmente reporta ao CEO ou CFO. Embora uma PME não seja uma multinacional, é saudável copiar certas boas práticas. A sustentabilidade deve ser discutida diretamente com o CEO ou CFO, porque, desde a pandemia, a sustentabilidade passou a ser quantificada e ligada à digitalização, com impactos que vão além do marketing e das preocupações normalmente atribuídas a um engenheiro ambiental.


Este ano, serão estabelecidas as primeiras regras contabilísticas internacionais sobre sustentabilidade. Com essas regras, surge a obrigação de auditar a sustentabilidade pela primeira vez na história. Além disso, os indicadores-chave de sustentabilidade (KPI - Key Performance Indicators) variam de setor para setor e devem ser relatados de acordo com os padrões internacionais de reporting, a fim de permitir que a empresa obtenha dividendos junto dos bancos, possíveis investidores ou mesmo das autoridades portuguesas e europeias (para obtenção de apoio de programas como o PT 2030 ou PRR).

Os KPIs de sustentabilidade agora exigidos requerem dados que ultrapassam o scope estrito de cada empresa, abrangendo informações dispersas em redes sociais, bases de dados estatísticas públicas e informações relacionadas com os parceiros que compõem a cadeia de valor em que a empresa está inserida (e.g. fornecedores). Por outras palavras, o chamado big data e a gestão da supply chain desempenham um papel fundamental, e informações incorretas podem ser classificadas pelas autoridades e demais partes interessadas como "greenwashing" (declarações falsas sobre sustentabilidade), o que pode penalizar significativamente a reputação da empresa no mercado, junto a seus parceiros e das suas fontes de financiamento.


Por todas estas razões, é importante que o Diretores Financeiros ou CEO das PME estejam diretamente ligados à Gestão da Sustentabilidade da sua empresa e percebam que devem ter alguém na equipa (ou parceiros externos) com conhecimentos de Data Science e Digitalização.

Estamos a atravessar neste momento a chamada “quarta revolução industrial” e as empresas têm de se adaptar rapidamente a este novo contexto. Citando Carles Darwin: “Não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas sim a que melhor se adapta às mudanças.”

Mesmo que uma empresa seja uma PME e ainda não esteja legalmente obrigada a cumprir os novos regulamentos europeus, ela sentirá a necessidade de fazê-lo rapidamente, tanto por parte do setor bancário quanto de seus clientes internacionais. Isso ocorre porque o setor financeiro e os grandes grupos internacionais (cotados ou não) já são obrigados a seguir os novos regulamentos e a exigir a mesma postura das empresas com as quais trabalham, mesmo que sejam PMEs. Na verdade, mesmo grandes marcas internacionais no setor de Oil&Gas (como a Total, por exemplo) começaram a desenvolver estratégias de sustentabilidade ainda durante a pandemia, sem esperar pela implementação de novos quadros regulatórios pelos órgãos reguladores. Isso ocorreu porque elas perceberam que seus negócios seriam fortemente penalizados em várias frentes se não o fizessem.


As empresas do setor da construção com operações na União Europeia estão entre as mais expostas às novas exigências da atual 'quarta revolução industrial' (Sustentabilidade + Digitalização), uma vez que as autoridades europeias elegeram esse setor como prioritário. Por essa razão, várias cimenteiras já estão envolvidas em iniciativas internacionais, como a 'Science Based Targets initiative' (SBTi). Desde as exigências nos concursos públicos até as preferências manifestadas pelos clientes privados, é crucial que as empresas do setor implementem rapidamente uma Estratégia de Sustentabilidade, com o envolvimento ativo de seu CFO. Mais do que apenas riscos, a chamada “Sustainable Finance” traz uma série de oportunidades que podem representar vantagens competitivas vitais em termos de capacidade de financiamento. Infelizmente, a grande maioria das empresas portuguesas ainda não está explorando essas oportunidades devido à simples falta de conhecimento.


As PME portuguesas apresentaram melhorias significativas em seus balanços e rácios financeiros nos dez anos seguintes à crise financeira de 2008, normalmente conhecida como “crise do subprime”. No entanto, durante a pandemia de COVID-19, elas enfrentaram desafios maiores que suas congéneres europeias em termos de apoios de tesouraria. Agora, com a Sustentabilidade, surgem novas opções de financiamento nas quais as empresas portuguesas podem beneficiar do fato de Portugal possuir um ecossistema energético favorável às exigências dos mercados financeiros.


É assim muito importante que as PME do sector da construção coloquem a implementação de uma Estratégia de Sustentabilidade como uma das prioridades da agenda do seu Administrador e do seu Diretor Financeiro, sem esquecer que a eficiente utilização da Sustentabilidade como vantagem competitiva, deve sempre assentar em três pilares que são indissociáveis: Finanças, ESG e Digitalização.



Pedro Silva

CFO certificado em Sustentabilidade e Data Science



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