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RENTABILIDADE FINANCEIRA DOS EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS


O mercado imobiliário é um dos sectores económicos onde o lado financeiro do ESG se torna cada vez mais claro

Desde o início da pandemia de COVID-19, a União Europeia (UE) tem-se destacado globalmente como líder em Sustentabilidade (comumente referida pelas siglas ESG - Environmental, Social, and Governance), tendo como objetivo atingir, já em 2030, cerca de 55% da meta 'NetZero' (fim das emissões de carbono, recomendada pelas Nações Unidas para ser alcançada a 100% até 2050).


No âmbito das medidas previstas no Pacto Ecológico Europeu anunciado em 2019 (o chamado “Green Deal”), a UE tem feito um esforço histórico em termos regulatórios e legislativos com o objetivo de obrigar empresas de todos os setores a adotar modelos de negócio mais sustentáveis. A CSRD, Diretiva Green Claim, Taxonomias ambientais e a Diretiva de Due Diligence, são alguns exemplos do novo quadro legal europeu em relação a políticas e estratégias de sustentabilidade. Um dos passos mais recentes foi o anúncio do primeiro imposto de carbono sobre importações provenientes de países fora da União Europeia, com o propósito de desencorajar empresas a produzirem fora da Europa, em regiões menos rigorosas em termos de preocupações ambientais.


Estas novas regras focam-se muito no disclosure de informação, começando por ser aplicadas ao setor financeiro (incluindo fundos de investimento imobiliário, através da SFDR - Sustainable Finance Disclosure Regulation) e às grandes empresas. Na verdade, as empresas com marcas de valor no mercado, cedo revelaram interesse em implementar Estratégias de Sustentabilidade por razões que vão muito além dos aspectos legais, principalmente pela defesa de sua reputação e porque serão auditadas a esse respeito a partir de 2024.

O objetivo da UE foi utilizar as próprias dinâmicas de mercado para convencer todo o tecido empresarial da necessidade de adotar uma Estratégia de Sustentabilidade para os seus negócios. Efetivamente, mesmo as PME que não estejam legalmente obrigadas já em 2024 a garantir compliance e a fazer os disclosures exigidos pelas novas regras, acabarão por fazê-lo por exigências de seus grandes clientes ou pelas instituições financeiras junto das quais se financiem.


Os efeitos da estratégia da UE também se fazem sentir no mercado imobiliário, não apenas pelas imposições legais, mas também pela crescente sensibilização dos investidores aos indicadores ESG, uma vez que o setor da construção e do imobiliário é dos que têm maior pegada de emissões de GHG (gases de efeito estufa), sendo por isso um dos visados pela nova Taxonomia Ambiental Europeia.


Segundo a Euronext, em junho de 2023, aproximadamente 50% dos investimentos geridos na Europa por empresas de Gestão de Ativos (nomeadamente fundos de investimento), dizem respeito a ativos “Sustentáveis” (Artigos 8 e 9 do regulamento SFDR). Isso demonstra o grande interesse por parte dos investidores em aplicações que possuem boa performance em termos de critérios ESG. No mercado imobiliário, isso traduz-se na valorização dos imóveis possuidores de Certificados Energéticos, mas também de certificações internacionais de caráter ambiental como o BRIM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) e o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

Este fenômeno é particularmente observado no mercado imobiliário corporativo, onde empresas buscam montar seus escritórios e outras infraestruturas em imóveis que minimizem sua pegada carbónica, mas também já se observa a mesma tendência nos imóveis de habitação de gama alta.


A rentabilidade da Sustentabilidade é também visível no interesse dos investidores em adquirir imóveis considerados “não sustentáveis”, com o objetivo de os reabilitar e aproveitar sua subsequente valorização, seja através de rendas mais elevadas, seja por meio de vendas com mais-valia.




A inflação, os efeitos da guerra na Ucrânia e o custo das exigências adicionais ESG têm aumentado significativamente os custos de construção. No entanto, é notório o crescente número de construtores focados nos critérios de Sustentabilidade. Isso deve-se ao efeito regulatório (que é obviamente um vetor importante), mas, acima de tudo, o ESG afirma-se cada vez mais como a vantagem competitiva que todas as empresas desejam apresentar aos seus clientes.




Pedro Silva

CFO certificado em Sustentabilidade e Data Science



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