• Edgar Carrolo

SERÁ O SKYPE A PRÓXIMA NOKIA DOS NOSSOS DIAS?


Já existem contrastes gritantes na forma como se comunica desde o início do século XX…


Toda a minha geração cresceu entre serões passados no windows live messenger (comumente conhecido apenas como MSN), a troca de SMS com o Nokia 3310 e com “Skypadas” entre amigos e/ou familiares. Mas, o que têm estas forma de comunicação tão usuais na década de 2000? É que todas elas deixaram de ser o grande veículo de comunicação da minha geração, assim como as que me sucederam. O skype em particular enraizou-se não só nas comunicações privadas, mas também na área empresarial, e foi o grande dominador na vertente das videochamadas até há bem pouco tempo. Isso é tão evidente, que em 2011 a palavra “Skype” foi adicionada no dicionário de Oxford, e o verbo mais tarde em 2013, dando ênfase à popularidade do serviço na altura. Esse foi o mesmo ano em que a Microsoft adquiriu a empresa por $8,5 mil milhões (€7,58 mil milhões ao câmbio atual), percebendo que a aplicação era a grande dominadora nas chamadas via internet e que 40% eram em vídeo, num universo de 100 milhões de utilizadores, 8% deles pagantes. Esta aquisição, fez por outro lado a Microsoft abandonar plataforma Messenger, que tanto sucesso teve no início do deste século, e apostar forte na recente aplicação que tinha adquirido. Por outro lado, por esta altura, outras plataformas já estavam a franco crescimento, como o Whatsapp e Messenger do Facebook, e outras plataformas como Zoom e Snapchat tinham acabado de nascer e ameaçavam a posição dominante no Skype.


A verdade é que a Microsoft nunca conseguiu tornar o Skype um negócio viável e uma plataforma de comunicação importante para os consumidores. Mas antes de situar o Skype atualmente no mercado e especular sobre a sua popularidade nos dias de hoje, apraz-me recordar 2 histórias de empresas que eram líderes na sua área de negócio e que acabaram anos mais tarde por perder grande parte da sua dominância.



Eastman Kodak Company – Ou simplesmente Kodak: de líderes da fotografia à bancarrota em 36 anos


Toda a geração dos meus pais definitivamente conhece a Kodak, mas isso pode já não ser verdade para os jovens da minha geração. No fim da década de 80, era quase impossível realizar todo o processo fotográfico, desde a captação da imagem até a impressão sem ter pelo menos um produto da Kodak. A tecnologia das câmaras, dos rolos e do papel eram de facto o estado da arte e foram-no por cerca de 100 anos.


A empresa foi fundada pelo visionário George Eastman e pelo investidor Henry Strong. Estávamos no fim do século XX, e o processo de tirar uma simples fotografia, além de caro, era demorado, e com processos complexos. Eastman percebeu isso e durante 3 anos desenvolveu uma chapa fotográfica seca e patenteou-a. Juntamente com outro especialista em fotografia fundou a Eastman Dry Plate and Film Company. Em 1888 registou a marca Kodak, que não tem qualquer significado e apenas resultou de uma boa fonética ao ouvido de Eastman e pelo seu especial gosto pela letra “K”. Em 1897 a primeira câmara portátil foi patenteada, e muitos outros avanços tecnológicos se sucederam, com várias personalidades, onde se pode destacar a parceria com Thomas Edison, que levou ao desenvolvimento do cinetoscópio (inventado por um colaborador de Edison, William Dickson em 1897, apesar da patente estar em nome de Edison). Este dispositivo foi disruptivo na indústria cinematográfica da altura.



Mais tarde, em 1935 o rolo fotográfico Kodakchrome foi patenteado, o que contribuiu de uma forma decisiva para a massificação da fotografia a uma escala global. Outros marcos tecnológicos, tais como a captação de imagens na superfície da lua durante a missão Apollo 11 em 1969 e a invenção da câmara fotográfica digital em 1975 são atribuídas à Kodac. Esta última, pode ter sido de facto a razão da posterior decadência da empresa, que culminou com o pedido de insolvência em 2012.



Ora vejamos, nesse mesmo ano de 1975, a Kodak tinha 85% de quota de mercado de máquinas fotográficas e 90% do mercado de rolo fotográfico, e se é verdade que até 2005, continuavam a ser líderes no mercado de máquinas fotográficas digitais, por uma pequena margem, a Kodac sempre recusou a ideia de que a fotografia digital seria a nova tendência de mercado, uma vez que isso destruiria o seu modelo de negócio (como acabou por acontecer inevitavelmente), que assentava na venda de rolos e impressão e não na venda das máquinas, que eram vendidas praticamente a preço de custo. O que se sucedeu mais tarde, já todos sabemos: as pessoas passaram a comprar máquinas digitais em grande escala e a cada vez mais baixo custo, o rolo fotográfico desapareceu, e a impressão reduziu drasticamente. Infelizmente para a Kodak, demoraram muito tempo a aceitar essa realidade, tentando ingloriamente cegamente proteger o seu modelo de negócio, sem reparar que a revolução digital era já impossível de conter. Atualmente, a Kodac ainda existe, mas com um volume de negócios muitíssimo mais pequenos e com inúmeros competidores.


No próximo artigo irei relembrar uma história de uma outra empresa que se foi disruptiva no seu segmento de mercado e que não se soube adaptar à exigência da inovação tecnológica.


Continua...


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Autor: Edgar Carrolo

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