• Helena M Ramos

COVID-19 E A HIDROENERGIA - AÇÃO CLIMÁTICA E SUSTENTABILIDADE



A energia hidroelétrica é um serviço essencial no presente e no futuro em termos de flexibilização e integração de várias fontes renováveis. Apesar do lento crescimento da potência instalada, a geração hidroelétrica tem aumentado em muitos países, e continua a ser a maior fonte de energia renovável do mundo da eletricidade, com vários benefícios associados.



Assim que a emergência atual na saúde esteja controlada, os decisores políticos precisam de ser ousados ​​e agir rapidamente com pacotes de estímulo para garantir uma recuperação adequada no setor hidroelétrico. É necessário garantir a recuperação energética, como variável essencial, implementando mais e melhor sistemas hidroelétricos.



Atualmente, existem mais de 1300 GW de potência instalada globalmente. De acordo com o International Renewable Global Renewables Outlook 2020, da Agência de Energia (IRENA), esse número necessita de crescer cerca de 60% até 2050 para ajudar a limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius. Esse crescimento ajuda a gerar cerca de 600 mil empregos qualificados na próxima década e exigirá uma estimativa de investimento da ordem de 1,7 x10^9 €.


Os decisores políticos e gestores de energia precisam de tomar medidas em relação a novos projetos, devido aos ciclos de planeamento mais longos para a construção de soluções de hidroenergia de grande potência. Cada obstáculo dará origem a novas necessidades e oportunidades, ao longo do tempo. O setor está a passar por uma enorme e involuntária transformação, que pode ser moldada para um desenvolvimento mais sustentável de futuro. No entanto, salienta-se a relativa estabilidade, resiliência e confiabilidade do setor hidroenergético.


A crise veio mostrar que a prevenção de uma emergência é muito melhor do que ter que responder a ela. Esses eventos devem ser catalisadores para uma ação climática mais forte, incluindo maior desenvolvimento da hidroenergia sustentável. No entanto, para que isso aconteça, a contribuição da energia hidroelétrica deve ser reconhecida ao manter níveis elevados de confiabilidade, que devem ser incentivados pelos decisores políticos e avaliados adequadamente pelo mercado. Existem ferramentas, tendências e análises para informar sobre as boas práticas e investimentos, de instituições financeiras e empresariais neste setor.



A PANDEMIA COVID-19

Impactos imediatos na hidroenergia


Durante a crise induzida pelo Covid-19, a hidroenergia conseguiu fornecer eletricidade a residências, empresas e hospitais. A sua flexibilidade foi demonstrada numa das maiores experiências do mundo, que sentiu em Abril de 2020, quando a energia hidroelétrica da Índia restaurou a eletricidade para dezenas de milhões de famílias após uma redução de 31 GW no consumo, por um quebra induzida pelo Covid-19. A necessidade de garantir a capacidade de fornecimento, com maior solicitações criadas pela integração de outras fontes de energia renovável variável, a hidroenergia destaca a sua relevância, nos desafios operacionais enfrentados pelos operadores da rede elétrica ena manutenção da estabilidade. A flexibilidade integradora e a fiabilidade da hidroenergia fica bem demonstrada e foi, é e será sempre uma solução energética. A pandemia Covid-19 irá, assim, obrigar a reformular a sociedade e a economia. Exigirá novas abordagens para a governança, a gestão, as tomadas de decisão, para o desenvolvimento económico, para os sistemas de energia e para a sustentabilidade ambiental e social.



Embora este seja um momento de grande incerteza, é de vital importância que os estímulos económicos maximizem, a curto prazo, os benefícios do investimento em infraestruturas, e acelerem a transição para as tecnologias mais limpas, mais flexíveis, mais confiáveis e de baixo carbono, como os aproveitamentos hidroelétricos se aplicam em várias escalas.


A crise do Covid-19 veio causar uma agitação nos mercados de energia e, em particular, a energia hidroelétrica não é imune a esses desenvolvimentos. Entre o final de Março e o início de Abril de 2020, a International Hydropower Association (IHA) conduziu uma pesquisa aos seus membros para descobrir como o coronavírus estaria a afetar a energia hidroelétrica. Dos cinquenta entrevistados, 60% eram CEO (chefes) de organizações ou gestores seniores. Dssa procura, juntamente com análises conduzidas pela International Hydropower Association (IHA), mostraram que o setor foi afetado de várias formas. A incerteza generalizada e a escassez de liquidez de financiamento e refinanciamento de alguns projetos hidroelétricos puseram em risco muitos empreendimentos. Os projetos greenfield de desenvolvimento e modernização também foram interrompidos devido a quebras na cadeia de fornecedores, assim como os programas governamentais propostos ou existentes para apoiar o setor foram adiados.


Embora as operações tenham sido menos afetadas devido ao elevado nível de automação em instalações modernas, houve quedas significativas no consumo e nos preços da eletricidade. Em alguns mercados, tanto o consumo como os benefícios sofreram uma contração de até 20% e permanecem ainda extremamente voláteis.


Todos esses desenvolvimentos contribuíram para a queda da confiança em todo o setor elétrico. A pesquisa desenvolvida pela IHA mostrou mais de 20% de queda na confiança dos entrevistados entre 2018 e 2020 quando questionados sobre se as receitas hidroelétricas crescerão nos próximos 3 anos.



O crescimento da hidroenergia


Para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 ° C, sugere-se que a capacidade hidroenergética global deveria crescer 25% até 2030 e 60% até 2050. Isso equivale a cerca de 850 GW em potência a instalar nos próximos 30 anos. Para atingir essa meta, o crescimento médio anual em capacidade instalada de hidroenergia precisaria de atingir um valor 2,2 % ao ano, em média.


Se a hidroenergia fosse substituída por combustíveis fósseis (queima de carvão), a análise da IHA sugere que cerca de 3,5 a 4,0 Mil milhões de toneladas de gases com efeito estufa seriam acrescidos anualmente, e as emissões globais de combustíveis fósseis e da indústria seria cerca de 10% superior.


Além disso, utilizar a hidroenergia em vez de carvão evita a produção de cerca de 150 milhões de toneladas de partículas poluentes na atmosfera, 60 milhões de toneladas de dióxido de enxofre e 8 milhões de toneladas de óxido de nitrogênio – evitando, assim, muitos problemas de saúde, impactos sociais, ambientais e climáticos.



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Helena M Ramos


Professora no IST Técnico Lisboa

Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos (DECivil), CERIS, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa;

hramos.ist@gmail.com e/ou helena.ramos@tecnico.ulisboa.pt

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