• Helena M Ramos

ALERTA PARA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E A PEGADA ECOLÓGICA NA ENERGIA




A reutilização do recurso hídrico é vital para reduzir as emissões de carbono e pode, ao mesmo tempo criar emprego, baseado nas soluções energéticas verdes. O impacto devastador da Covid-19 é incomparável no seu impacto multifacetado - afetando a nossa saúde,as nossas relações familiares, a nossa segurança financeira e a própria maneira como vivemos.


O secretário de Energia do Reino Unido, Alok Sharma, presidente da cúpula Cop26 em Glasgow, admitiu: "O mundo enfrenta a perspectiva de uma mudança climática catastrófica e não temos tempo a perder se quisermos evitá-la". Isto porquê? O tema Covid-19 domina as notícias que mais nos preocupam e com toda a razão, mas a emergência climática não desapareceu. Precisamos de uma ação urgente para cumprir a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura global abaixo de dois graus Celsius, se quisermos evitar o aumento do nível do mar e as condições climáticas extremas, com consequências devastadoras para milhões de vidas.


O primeiro-ministro Boris Johnson revelou a necessidade de uma revolução verde “líder mundial” para reduzir os gases com efeito estufa em pelo menos 68% até 2030, como parte do roteiro para atingir zero emissões até 2050. No entanto, reconhecer o problema e estabelecer metas ambiciosas é bom, mas não resolve per si, é necessário haver financiamento na procura de soluções. O National Audit Office (NAO) alertou que se o governo pretende chegar à neutralidade carbónica até 2050, são esperadas alterações na forma como a eletricidade vai gerada. O chefe do NAO, Gareth Davies, afirma: “Embora as emissões tenham reduzido de forma constante nos últimos anos, alcançar o valor zero é um projeto de longo prazo extremamente desafiante, que exigirá uma coordenação bem pensada entre governos, para impulsionar mudanças sem precedentes na sociedade e na economia”.


No cerne da guerra contra as mudanças climáticas e a pegada ecológica está a necessidade de uma aceleração das fontes de energia limpa e renovável, como a água, o vento e o sol. As energias renováveis ​​representaram mais de 70 % das adições de capacidade global de energia, em 2019. Mas o ritmo para limpar a energia precisa quadruplicar até 2030, se quisermos cumprir as metas de Paris.


Mas o sol nem sempre brilha e o vento nem sempre sopra. Em novembro 2020, o Reino Unido teve que recorrer a três das últimas centrais térmicas a carvão que ainda existem, para manter as “luzes do país acesas” enquanto as turbinas eólicas abrandavam a produção por falta de vento. Os recursos eólico e solar são intermitentes e só podem fornecer energia constante quando apoiadas por armazenamento.



Para que os países alcancem 100% de energias renováveis, é necessário armazenar a energia para quando for necessária. A solução está em um dos maiores ativos naturais a água, na construção de centrais hidroelétricas com armazenamento por bombagem. Esse armazenamento é uma forma de transformar eletricidade em energia potencial para ser aproveitada e poder gerar novamente eletricidade quando é mais necessária. É visível o consumo satisfeito pelas diferentes fontes de energia, eólica ou solar, com e sem armazenamento hídrico.



Ou o consumo satisfeito pelas diferentes fontes de energia, eólica + solar, com e sem armazenamento num estudo de investigação aplicada no IST.



O sistema utiliza eletricidade num tarifário mais baixo ou quando existe outras energias em excesso para bombear água de um reservatório inferior para um superior. Essa energia é armazenada até que seja necessária, sendo turbinada para gerar eletricidade para atender aos picos do diagrama de consumo. Este ciclo de bombeamento e geração repete-se diariamente, conforme a necessidade. O armazenamento bombeado utiliza o excesso de eletricidade gerada quando o consumo é baixo e gera hidroenergia quando o consumo aumenta.


Esta solução é flexível e fiável permitindo a integração de fontes de energia intermitentes, tornando o balanco energético mais assegurado em termos de garantia no fornecimento.


Essencialmente, na transição energética baseada em fontes renováveis, essas soluções permitem substituir a necessidade de combustíveis fósseis, de baterias com enorme impacte ambiental no fim da sua vida útil, e fazer face às alterações climáticas criando planos de reservatórios de água com enorme potencial a vários níveis.

É bem visível a influência da produção de energia de origem renovável no preço de mercado da energia, que se traduz numa redução significativa proporcional ao aumento de produção desse tipo de energia.



Num recente relatório sobre energia renovável, a hidroeletricidade ou hidroenergia é mostrada como a solução de menor custo, para equilibrar energias renováveis ​​intermitentes, nomeadamente a eólica e a solar, como principais desse puzzle.


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Helena M Ramos


Professora no IST Técnico Lisboa

Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos (DECivil), CERIS, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa;

hramos.ist@gmail.com e/ou helena.ramos@tecnico.ulisboa.pt


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